Muitas vezes nos perguntamos: como podemos ser mais sustentáveis? Geralmente as respostas não vêm de forma clara e prática, porque a gente não sabe por onde começar e tudo parece tão difícil.

Mas a compostagem doméstica é um dos caminhos para uma vida mais sustentável em todos os sentidos. Quando começamos a compostar nossos resíduos orgânicos, criamos uma nova relação com o nosso “lixo” e percebemos no dia a dia como geramos muita matéria rica em nutrientes.

Cerca de 50% de tudo o que geramos em nossas casas são resíduos orgânicos – cascas de frutas, verduras, casca de ovos, saquinhos de chás, borras de café, etc –  que podem e devem ser transformados em adubo através da compostagem.

A compostagem nada mais é do que um processo biológico de decomposição da matéria orgânica, na qual ela se torna adubo. Existem várias formas de compostar: direto na terra  – aquela antiga técnica de jogar as cascas diretamente na horta, com composteiras de revolvimento manual ou eletrônico e até mesmo os singelos baldinhos com as maravilhosas minhocas californianas.

Nós sempre falamos: nada mais justo com a natureza do que devolver para ela o que é de direito dela.

Eu explico: a terra fornece nutrientes para que as plantas cresçam e nos forneçam alimentos, nesse processo os nutrientes são utilizados pela planta, empobrecendo o solo, consequentemente precisamos adubar novamente essa terra para que ela produza mais alimentos. Com a compostagem esse ciclo se fecha, pois, após o preparo das nossas refeições, sempre sobram as cascas, talos, caroços e vários outros tipos de resíduos que após se decomporem viram um rico adubo cheio de nutrientes.

Aplicar a compostagem em um condomínio é uma excelente prática sustentável. Pode ocorrer de forma centralizada, na qual todos os resíduos do ambiente são compostados em um único local ou descentralizada, na qual, cada morador composta seus próprios resíduos em sistemas individuais, geralmente minhocários.

Sistemas de maior porte devem ser dimensionados de acordo com as características de cada espaço. Um profissional, pode auxiliar na definição da melhor técnica de compostagem a ser utilizada. É importante que haja pessoas responsáveis por fazerem o manejo do processo de compostagem, bem como um local adequado. Mas o processo mais crucial em sistemas centralizados é a segregação dos resíduos orgânicos por parte dos moradores, materiais plásticos, metal e outros prejudicam o processo de compostagem e a qualidade final do adubo.

Em sistemas descentralizados, cada morador fica responsável por compostar seus resíduos. Os sistemas mais indicados são os minhocários. As minhocas têm o papel de “catalizadoras” de todo o processo pois se alimentam dos resíduos, transformando-os em adubo em cerca de 2 ou 3 meses. A estrutura é simples e pode ser confeccionada por qualquer pessoal utilizando baldes ou caixas. Para os que preferem adquirir a solução pronta, existem empresas e sites que comercializam modelos já prontos para uso, juntamente com as minhocas. O resultado final da compostagem através dos minhocários é um adubo rico em nutrientes e o biofertilizante, líquido escuro que pode ser diluído em água e usado para borrifar as plantas, serve tanto como adubo quanto como repelente para alguns insetos.

Reduzir cerca de 50% da problemática do lixo é um resultado fantástico em termos de sustentabilidade, bora começar a compostar?


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Comentários

  1. Sharlene

    EXCELENTE MATÉRIA! Já me motivei a colocar em prática na minha casa!

  2. Julio Gonzaga

    Sou entusiasta da ideia de devolver à natureza parte do que retiramos dela. A compostagem é uma excelente iniciativa, porém as técnicas apresentadas nesta matéria não se aplicam às comunidades de baixa renda e pouca estrutura. Poderiam nos apresentar formas mais adequadas à população carente, como forma de incentivar essa prática sem gerar custos?

    1. BRCondos

      Julio, vamos sugerir sua ideia para nosso colunista num próximo artigo. Como ele é especialista neste assunto, certamente trará boas dicas para você. Obrigada pela participação!

    2. Gustavo Ritzmann

      Boa tarde Julio, tudo bem?

      Todas as técnicas apresentadas na matéria são simples e podem muito bem ser aplicadas em comunidades de baixa renda.
      Esse sistema centralizado que eu cito é aplicado em uma comunidade em Florianópolis, por exemplo, o projeto se chama “Revolução dos Baldinhos”.
      Basicamente o essencial é um espaço adequado e vontade. Como você pode notar pela terceira foto do artigo, o processo é basicamente uma pilha de resíduos misturados com material seco (serragem/folhas/palha/ grama seca). Não há grandes estruturas necessárias.
      Os minhocários podem ser construídos com baldes reutilizados de manteiga, que podem ser adquiridos, geralmente de graça, junto a mercados e padarias. Conseguimos fornecer minhocas, gratuitamente, para começar o processo. É uma tecnologia social disponível a todos. O custo de um minhocário feito em casa não ultrapassa os R$ 20,00.

      Se você ainda tiver dúvidas quanto às técnicas de compostagem, me envie um e-mail, gustavo@rastro.eco.br que podemos alinhar a melhor técnica de acordo com as condições do local.

      Obrigado,

  3. Roberto Pauletti

    Gostei da ideia,só tenho jardim, sem espaço gostaria de fazerem um recipiente movel externo sem terra .como posso fazer e adquirir essse recepiente.

    1. Gustavo Ritzmann

      Olá Roberto, tudo bem?

      Pelo que entendi você não possui muito espaço, correto?
      Existe esse modelo, da Trapp que é móvel, (http://www.trapp.com.br/pt/produtos/compostagem/caixa-de-compostagem/produto/cc-435l) e ocupa um espaço razoavelmente pequeno, os restos de alimentos são depositados pela tampa superior junto com uma camada de material seco (serragem/palha/folhas secas/grama seca). O processo acontece naturalmente dentro da caixa e após algumas semanas o composto é retirado pelas aberturas laterais inferiores. É um sistema simples que você mesmo pode construir caso o orçamento seja um problema.

      Se tiver mais dúvidas, me envie um e-mail em gustavo@rastro.eco.br

      Obrigado,