Série: quanto custa ter um jardim no condomínio? AS MANUTENÇÕES

por Jordi Castan em 07 de novembro de 2018

Já recebi vários comentários por aqui em relação aos cuidados com o jardim do condomínio, principalmente relacionados ao valor para construção e manutenção. Deste modo, decidi começar uma série que trará boas informações sobre a manutenção dos jardins, começando hoje pela mão de obra.

Os custos de manutenção são como os serviços cobrados em um salão de beleza, nunca deixam de aumentar. Para não reduzir a qualidade de um jardim, cortando gastos onde não se deve, é necessário saber o que devemos fazer para manter os custos dos serviços de jardinagem baixos e estáveis.

O projeto feito pelo paisagista terá um forte impacto no custo posterior de manutenção, por isso é importante compreender que um jardim inicialmente barato, pode converter-se num pesadelo no futuro. O velho dito de que o barato sai caro é especialmente verdadeiro quando se trata de um jardim.

É comum que as incorporadoras e construtoras se concentrem em reduzir os custos de implantação do jardim, sem considerar os custos posteriores de manutenção e reposição. Neste caso é importante que haja atenção de todos em não só projetar um jardim bonito, mas que possa ser mantido com custos baixos e que estes custos não acabem comprometendo seu desenvolvimento futuro e sua sustentabilidade.

Quais são os custos a considerar?

Mão de obra

O custo que mais pesa na manutenção de qualquer projeto paisagístico é o da mão de obra. Salários e obrigações trabalhistas aumentam constantemente e devem ser repassados ao cliente. Neste ponto o projeto joga um papel determinante, áreas de grama pequenas que exijam cortes frequentes são caras de manter, muitos canteiros de flor que precisem de reposição com frequência também têm custo alto e com o tempo tendem a ser trocados por plantas perenes o que acabam modificando o projeto original. Arbustos mantidos em forma de bola ou canteiros que exijam podas constantes também devem ser evitados porque exigem muito tempo e trabalho da equipe de jardinagem.

Quantos jardineiros são necessários? Como medir a produtividade? Como melhorar a produtividade da equipe sem perder a qualidade do jardim ou deturpar completamente o projeto original são os maiores desafios. Como base de referência, devemos considerar que precisaremos de um jardineiro profissional, para cada 1,25 hectares de jardim, ou para cada 12.500 m2.

Neste ponto é importante entender que pode não ser bom negócio contratar “roçadores de grama” sem qualificação em lugar de jardineiros, porque o custo de refazer completamente o jardim depois de um tempo será muito maior que a economia que foi feita. Um mal profissional pode destruir completamente um jardim, comprometendo-o para sempre. Por isso, a premissa que o barato sai caro neste caso volta a ser verdadeira.

Há no mercado cursos para qualificação de jardineiros, que não devem ser confundidos com os cursos de paisagismo, um jardineiro deve saber quando e como podar, com que frequência adubar e qual o tipo e a quantidade de adubo necessária, quais são as flores adequadas para cada estação e local e como utilizar corretamente cada ferramenta e equipamento de forma segura. Sem esquecer que deve estar equipado adequadamente para fazer o seu trabalho corretamente.


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Comentários

  1. edmar viana mariz

    Bom dia Como paisagista ele vendeu o seu peixe muito bem, mas a realidade é outra em 97% dos condomínios no Brasil onde os próprios funcionários e moradores cuidam do seu jardim, evitando gastos desnecessários;

    1. BRCondos

      Muito obrigado pelo seu comentário, ele contribui muito para promover o debate sobre como podemos melhorar os jardins e as áreas verdes dos condomínios. Há sempre mais de uma abordagem e há muitas realidades. Condomínios de menor porte, com jardins pequenos a empreendimentos com grandes áreas verdes e níveis de complexidade diferentes. É possível sim que cada morador contribua. Claro que se há no condomínio pessoas com conhecimento, disposição e generosidade para colaborar isso será um tesouro e devemos valorizar e estimular a participação de todos. Porém, nosso objetivo aqui é pensar por outro viés, onde uma economia pode custar caro. Temos bons profissionais e eles devem ser valorizados, reconhecidos e contratados para que exerçam seu trabalho com seriedade é competência. Até porque a legislação é bem rígida e obriga a cumprir as NRs correspondentes para trabalhos específicos. Aplicar defensivos agrícolas, podar árvores e arbustos ou utilizar equipamentos e ferramentas sem o treinamento adequado pode acabar se convertendo numa dor de cabeça para o síndico e para o próprio condomínio. O meu conselho é o de aproveitar e valorizar a prata da casa, mas não esquecer das nossas limitações, quando o trabalho o exija é melhor contratar um bom profissional.