Lembro-me de um ditado Oriental que diz:

O verbo pode ferir tanto quanto a espada de um samurai.

Hoje inicio aqui na minha coluna uma sequência de textos sobre um tema desafiador e importante de tratar: a violência. Convido você, que tem se deparado com tantos fatos recentes e trágicos para refletir comigo neste primeiro texto, onde falo sobre a violência verbal dentro do condomínio. Vamos lá.

Algumas famílias se agridem verbalmente. Para elas isso é uma rotina do amor e da intimidade. Quem sabe façam assim por não encontrar uma ferramenta melhor ou simplesmente por ser um hábito familiar: seus pais criaram os filhos assim com muito grito e pouco afago.

Assim como algumas palavras amorosas que recebemos dos nossos pais jamais são esquecidas, mesmo que tenhamos ouvido em nossa mais tenra infância, também as frases desamorosas podem nos acompanhar por muitos anos. Sabemos por vários estudos que a violência verbal provoca muitos danos aos que a recebem. Por vezes, danos tão graves quanto os que sofrem de violência física.

Há outro aspecto na violência verbal: a falta de limites. Familiares que se agridem verbalmente e continuamente não integraram a palavra ‘limite’ a palavra ‘amor’. Quebram a hierarquia entre eles, se afastam e se aproximam muito rapidamente e lhes fica mais difícil encontrar um equilíbrio em suas relações.

Essas famílias também estão nos condomínios. Assim, mesmo que as portas e janelas estejam fechadas, o som das brigas daqueles que passam pelo momento difícil da convivência invade as demais residências. E, é impressionante o quanto essas famílias que estão ouvindo as agressões verbais podem ser atingidas.

A raiva é um aspecto humano natural que nos convida para amadurecer a ponto de fazer bom uso dela. As últimas pesquisas nos trouxeram importantes revelações: a raiva carrega em si algo oculto, atrás dela sempre está a tristeza. Agora, sabemos que famílias briguentas e barulhentas escondem em si muitas dores. Como não olham para essas dores, se protegem agredindo e se agredindo.  

E, num condomínio, essa raiva que esconde a dor por vezes é projetada nos vizinhos.  

O que fazer?

Como lidar com esta questão nos condomínios?

Trago em especial duas sugestões caso você viva essa situação dentro de casa ou seja testemunha: quando você ouvir alguma agressão verbal de outra família apenas se retire. Lembre-se sempre: o que parece raiva esconde a dor. Olhe com a compaixão que puder no momento e tome distância, pois em verdade, aquela pessoa está brigando apenas consigo mesma e com as suas memórias infantis. Está enredada em questões da sua família e você não tem qualquer relação com isso.

Uma segunda sugestão: se você sente que essa família não encontra outra saída senão a agressão verbal saiba que famílias normais brigam, discutem, se deprimem, passam por dificuldade financeira e por vezes pensam que não há solução. Mas, sempre há uma saída e você pode fazer diferente. Você pode se dar algo novo.

Há profissionais que podem ajudar a alcançar essa solução. Há pessoas da sua convivência que podem, da mesma maneira, trazer alguma palavra de inspiração. Sempre alguém pode ajudar a encontrar essa porta de saída.

Confie. Peça ajuda. Aliás, este é um dos aprendizados da vida em condomínio:

As relações humanas se equilibram quando estamos dispostos a dar e a receber.

Boa vida pra todos.  


Comentários

  1. Irene Aparecida Esteves

    Texto excelente!
    Muito obrigada!

  2. Ana Paula

    Bom, o jeito então, em outras palavras, é aguentar e não fazer nada… Achei que haveria alguma sugestão para fazer algo positivo. Talvez então a gente só possa se mudar mesmo. Uma família assim mora no andar de cima do nosso, eles gritam e brigam à noite quase todos dias até meia noite ou uma da manhã. E nós tentamos dormir ouvindo tudo. E o apartamento é nosso, ficamos tristes e vamos ter prejuízo ao sair. Muito triste. Situação sem saída, pelo que li.

    1. BRCondos

      Olá Ana, realmente é uma situação delicada e para cada caso há sempre uma saída, no entanto depende muito de aceitar ajuda, compreender a realidade e mudar algumas atitudes.

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